domingo, 27 de abril de 2014


UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CURSISTA: ELI FURTADO DOS ANJOS
DISCIPLINA: DMU E SURDOCEGUEIRA
CURSO Á DISTÂNCIA

Concernente às diferenças entre Surdocegueira e DMU, pode-se considerar respectivamente os seguintes pontos cruciais para estabelecer as diferenças entre ambas:
Segundo SERPA (2002), A surdocegueira é uma deficiência única e especial que requer métodos de comunicação especiais, para viver com as funções da vida cotidiana. E caracteriza-se pelos seguintes aspectos:
       - Sérios problemas relacionados com a comunicação com o meio
       - Sérios problemas relacionados com a orientação no
       - Sérios problemas relacionados à obtenção de informação.
 E segundo a autora Ximena, há dois tipos de surdocegueira que são: Congênita e a Adquirida.
 Em relação à Congênita: denomina-se surdocego congênito quem nasce com esta única deficiência, como por exemplo pela rubéola adquirida no ventre da mãe.
     A Surdogueira Adquirida: consiste quando a pessoa nasce ouvinte, vidente, surda ou cega e adquire, por diferentes fatores, a surdocegueira. E dependendo da idade em que a surdocegueira se estabeleceu pode-se classificá-la em Surdocegos Pré-lingüísticos ou Surdocegos Pós-lingüísticos O referido autor subdivide as pessoas com surdocegueira em quatro categorias:
·   Indivíduos que eram cegos e se tornaram surdos;
·   Indivíduos que eram surdos e se tornaram cegos;
·   Indivíduos que se tornaram surdocegos;
·   Indivíduos que nasceram ou adquiriram surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a oportunidade de desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma compreensão de mundo.
     NECESSIDADES ESPECÍFICAS DAS PESSOAS SURDOCEGAS
    Para que a comunicação aconteça e sejam alcançados os objetivos estabelecidos dentro de cada atividade para as crianças, é necessário fazer o seguinte:
·   Alertar a criança sobre a presença de quem interage com ela.
·   Alertar a criança sobre a atividade que vai ser desenvolvidas
·   Introduzir pouco a pouco a criança na atividade.
·    Falar sobre o que se faz enquanto a atividade é executada.
·  Repassar uma e outra vez o que fez durante a atividade, dando à criança a oportunidade de PEDIR, REJEITAR ou EXPRESSAR escolhas reais.
·  Criar acontecimentos que, com certeza, NÃO acontecem normalmente. Dentro de suas atividades.
· Criar oportunidades para resolver problemas individuais ou em grupo (complexidade varia segundo as habilidades da criança).
       Faz-se necessário salientar que em se tratando de pessoas surdocegas deve-se considerar segundo Ximena que, a perda visual e auditiva limita o  conhecimento do que acontece, já que sua percepção de distância fica  comprometida. Não saber o que acontece fora do corpo pode gerar angústia, instabilidade emocional e temor. É então que a unidade de vida e conexão com o mundo é feita por meio do tato. O tato constitui-se para as pessoas surdocegas, o que pode oferecer mais informação. De acordo com (Carvajal, 1997),estas cifras demonstram que o tato é sinônimo de comunicação para as pessoas com  surdocegueira.
  COMUNICAÇÃO DAS PESSOAS COM SURDOCEGUEIRA

   Nas crianças com surdocegueira e com deficiência múltipla, a COMUNCIAÇÃO é o aspecto mais importante e, por isto, deve-se focar nele toda a atenção na implementação do programa educacional/terapêutico, já que é o ponto de partida para chegar a qualquer aprendizagem.
 De acordo com Ximena, ao falarmos das pessoas surdocegos que ainda não alcançaram a fase dos sinais, devemos dar ênfase à importância da leitura dos movimentos do corpo e do uso dos outros sentidos básicos para que elas aprendam.
Se as pessoas adultas ou aquelas que interagem com elas não entendem ou não conseguem interpretar estas formas de comunicação, não haverá troca e elas deixarão de se comunicar, chegando à frustração.
Lembrem que devemos permanentemente ANTECIPAR e DAR tempo para que a criança processe a pergunta e possa responder; elas precisam de mais tempo.
Dentre as estratégias para criar, facilitar e incrementar a comunicação não simbólica se deve levar em conta:

     *Interesses Individuais: O interesse das crianças deve estar baseado na interação física por meio do estabelecimento de rotinas de jogo, na qual seja possível a imitação de comportamentos com ou sem intenção.
*Deve-se permitir à criança escolher tantas vezes como lhe seja possível, a imitação de ações específicas dentro de um contexto determinado; esta conduta pode ser considerada como um sinal.
*Compensar a perda dos sentidos à distância: A habilidade individual para explorar encontra-se limitada pela perda sensorial. Para alcançar este fim, podem ser estabelecidas estratégias com posições que impliquem o contato corporal com os pares comunicativos, assim como, a manipulação do ambiente com pequenos movimentos, o que implica ajudar a criança no reconhecimento de pessoas familiares por meio da exploração tátil e visual.
A PESSOA COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
• Deficiência múltipla – a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual / visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam conseqüências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa.
Segundo Orelove e Sobsey (2000) as pessoas com deficiência múltipla são indivíduos com comprometimentos acentuados no domínio cognitivo, associados a comprometimentos no domínio motor ou no domínio sensorial (visão ou audição) e que requerem apoio permanente, podendo ainda necessitar de cuidados de saúde específicos.
Segundo a autora Vula, quanto maior for o numero de deficiências, maior o risco da pessoa não conseguir fazer uso de todas as habilidades que possui e, assim sendo, a associação de diferentes problemas resultará em necessidades educacionais únicas.

Etiologias da deficiência múltipla
• Pré-natais:
Eritroblastose fetal (incompatibilidade RH), microcefalia, citomegalovírus, herpes, sífilis, AIDS, toxoplasmose, drogas, álcool, rubéola congênita. Síndromes como, Charge, Lennox-Gaustaut entre outras.
• Peri-natais:
Prematuridade; falta de oxigênio, medicação ototóxica, icterícia.
• Pós-natais: Efeitos colaterais de tratamentos como: oxigenoterapia, antibioticoterapia, Acidentes, sarampo, caxumba, meningite, diabetes.  Aparecimento tardio de características de síndromes como distúrbios visuais na Wolfram, Usher e Alport (Retinose Pigmentar). Podem ser acrescentadas situações ambientais causadoras de múltipla deficiência, como acidentes e traumatismos cranianos, intoxicação química, irradiações, tumores e outras.
De acordo com Nunes (2002), podem ser agrupadas em três blocos:

Necessidades físicas e médicas, como por exemplo:
·         A mais freqüente causa da deficiência múltipla é a Paralisia Cerebral, que compromete a postura e a mobilidade. Os movimentos voluntários são limitados em termos qualitativos e quantitativos.
·         Limitações sensoriais (visual e auditiva)
·         Convulsões
·         Controle respiratório e pulmonar
·         Problemas com deglutição e mastigação
·         Saúde mais frágil com pouca resistência física
Necessidades emocionais de:
·         Afeto
·         Atenção
·         Oportunidades de interagir com o meio e com o outro
·         Desenvolver relações sociais e afetivas
·         Estabelecer uma relação de confiança
Necessidades educativas devido a:
·         Limitações no acesso ao ambiente
·         Dificuldades em dirigir atenção para estímulos relevantes
·         Dificuldades na interpretação da informação
·         Dificuldades na generalização
De acordo com Nunes (2002), podem ser agrupadas em três blocos:
EFEITOS SECUNDÁRIOS
A comunicação é de extrema importância na aquisição de uma boa qualidade de vida e as principais vias de acesso à comunicação são a visão e a audição. A perda de uma ou ambas limita a aprendizagem incidental, onde a criança recebe e procura ativamente informações seja na interação com o meio ou com outro, proporcionando experiências significativas e fazendo associações com experiências prévias e assim aprendendo.
Nunes (2002) coloca que a limitação no acesso à aprendizagem incidental faz com que a pessoa receba informações de maneira fragmentada ou distorcida, sendo então essencial ensinar o que os outros aprendem acidentalmente.
Alem disso coloca também que a dificuldade na comunicação cria limitações na interação com os outros e com o meio levando a pessoa a ter poucas experiências sociais.
A mesma autora discorre sobre as conseqüências que podem ocorrer da falta de uma comunicação. O isolamento social pode levar a dificuldades comportamentais e emocionais, como por exemplo, hiperatividade, comportamentos obsessivos, agressividade e auto-agressão, estereotipias, auto-estimulação, distúrbios de atenção, entre outros.

ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM PARA PESSOAS COM MÚLTIPLAS DEFICIÊNCIAS:
Para as pessoas com deficiências múltiplas são necessários considerar os respectivos pontos relevantes na construção de uma aprendizagem significativa. De acordo com  autora Vula ,deve-se trabalhar num contexto de aprendizagem construtivista, ecológico e responsivo. Por construtivo entende-se: ser construído face a face, nas interações entre diferentes atores e nas relações interpessoais entre eles; no processo contínuo de forma partilhada; na construção contextual, dinâmica e evolutiva. Ecológico no sentido de: envolver os contextos naturais na qual a pessoa se encontra e os atores que com ela interagem. E por responsiva entende-se: dar tempo à pessoa para responder (pausar) o que aumenta as oportunidades dela se comunicar e possibilita o tomar a vez; usa a modelação como estratégia, explica como se faz; usa a resolução conjunta de problemas.
As atividades devem ocorrer em contextos naturais para que a aprendizagem seja significativa. Para que ocorra aprendizagem é preciso proporcionar experiências em quantidade suficiente para poder aprender, pois são necessárias muitas repetições para manter a informação na memória, e também para dar tempo da pessoa praticar. É preciso considerar o estilo de aprendizagem de cada um observando suas preferências e fortalezas e trabalhar em cima das habilidades que a pessoa tem.  E ainda no que concerne a comunicação alternativa e aumentativa muitos indivíduos múltiplos deficientes usam um pouco de fala, vocalizações ou sons e gestos ou comportamentos para se comunicar, mas não de maneira efetiva, por isso se beneficiarão de um sistema alternativo e aumentativo de comunicação.
A chave para o sucesso chama-se MOTIVAÇÃO. Só aprendemos quando motivados, por isso toda a preocupação em focar a educação da pessoa com deficiência múltipla dentro de atividades funcionais e significativas para ele. A possibilidade de se comunicar e ser ouvido, de ter a oportunidade de fazer escolhas dentro de uma rotina previsível, com atividades sendo antecipadas por um meio de comunicação dentro de suas possibilidades podem levar a pessoa a perceber que tem controle sobre sua vida, nem que seja em uma pequena parte, o que é altamente motivante. “Nós não devemos deixar que as incapacidades das pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas habilidades” ( Hallahan e Kauffman, 1994).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
*MARIA, Vula Ikonomildis, Deficiência Múltipla Sensorial. MEC-2006.

*SERPA, Ximena Fonegra, Comunicação para Pessoas com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Persona Sordociegas, INSOR-Colômbia 2002.


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